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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NOVAMENTE NATAL...


Novamente, Natal... época em que lembramos de um menino pobre que, nascido numa manjedoura, trouxe para este mundo hostil uma única certeza: "que o ser humano vale somente pelo que é e que faz, nunca pelo que possui".

Nasceu pobre, e, no entanto, preencheu corações de significado, de alegria, amor, e esperança de um mundo melhor e mais humano.O Natal chegou e mais uma vez temos nossas esperanças renovadas, sempre confiando nas palavras amigas Dele - O Cristo, que o dia da separação do joio e do trigo chegaria, e, nós, repensamos valores, refletimos em tudo que fizemos durante o ano, e, passado o dia que comemoramos seu nascimento, começamos tudo novamente... de onde paramos, muitas vezes, sem dar um passo atrás nas atitudes impensadas e, pedir perdão, seu maior ensinamento.

E Aquele que norteia o real significado dessas comemorações volta para altares de pedras, templos superficiais, como as lágrimas derramadas de muitos olhos nada verdadeiros.

A verdadeira sintonia entre nós e o Cristo requer a prática diária de tudo que é falado durante as Festas Natalinas mas, nada praticado durante um ano inteiro.
Vemos famílias se degladiarem, crianças e animais serem abandonados, amigos virarem as costas para quem sempre lhes foi fiel e dedicado, pessoas influentes mentirem descaradamente e acreditarem realmente naquilo que falam, pessoas que viveram tantas coisas juntas prejudicarem seu parceiro apenas por ganância, outros traírem suas parcerias na fé e confiança depositadas neles, e, poderíamos escrever uma lista sem fim, de falta de amor, de generosidade e comunhão.

Muitos perdem a fé, mas, se estivermos centrados no coração e confiantes naquilo que foi dito pelo Mestre, sentiremos a Mão que nos guia, ouviremos a verdade que liberta, e, sentiremos Seus braços nos enlaçando num aconchego que nada nesse mundo substitui. Sentiremos paz e harmonia invadir o coração.

Por que não fazer deste Natal um marco em nossas vidas, estabelecendo uma meta, a de fazer a nossa parte para criar um mundo melhor?
Mesmo passando por situações muito difíceis, podemos sempre olhar o lado bom de tudo. E nada é mais importante que o aprendizado e crescimento que tiramos de cada obstáculo, portanto, mesmo na dor só temos a agradecer e procurar fazer diferente...

Se recebemos ingratidão daqueles que considerávamos amigos, podemos dizer: só me importa o sentimento de amizade sincera que eu tenho por você... Feliz Natal, amigo!

Se o fizeram chorar, diga: dos meus olhos emanam os mais sinceros sentimentos. Desejo-lhe, força, luz, e muita alegria na vida... Feliz Natal!

Se sentiu o peso da traição, deseje multiplicar amor e união... que você encontre o afeto, o carinho, alguém para entregar, para dividir, estar junto e perdoar... Feliz Natal!

Se foi desacreditado, diga: que você seja preenchido de muita confiança na união, na ternura, e que a compreensão daqueles que o rodeiam sejam um alívio para seu coração... Feliz Natal!

Se sentiu solidão, ore! Amor e amizade são atitudes profundas e nada superficiais. Que você encontre repouso na alma, que receba o conforto das amizades verdadeiras e sensíveis. Feliz Natal!

Se não foi compreendido, desejo-lhe as bênçãos da misericórdia, e o presente da solidariedade. Feliz Natal.
Se o deixaram triste, diga: não quero ver você chorar, pois sei que é forte, e seu coração se cobrirá de alegrias... Feliz Natal.

Sorria sempre, porque temos muito mais a agradecer que lamentar.
Que todos possam fazer deste dia e de todos os dias de suas vidas, presentes especiais, entendendo que o nosso tempo é curto para desperdiçarmos com sentimentos menores, então, que nossas palavras sejam condizentes com nosso Caminho espiritual.

Um Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

VERA GODOY

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Organiza o Natal - Carlos Drummond de Andrade


Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um Bom Natal





Na manhã do dia de Natal, o velho Gaspar abriu o jornal e começou a ler. Imaginem o que foi que ele viu na primeira página? Lá, no meio de todas as notícias importantes, estava o seguinte:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

O Sr. Gaspar leu e tornou a ler aquilo. Riu-se muito, deu uma palmada na perna e disse: "Que boa idéia!" Levantou-se e foi espiar no forno. "Veja só que beleza!", exclamou ele ao ver dois perus assados. Tirou o maior dos dois, colocou-o numa cesta e cobriu-o com um guardanapo bem branquinho e engomado. Escreveu num cartão:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

E colocou-o na cesta. Pegou o chapéu, vestiu o paletó, colocou a cesta no braço e saiu para a rua. Foi andando, andando, até que chegou a uma porta onde se via um enorme sapato pendurado. "Ó! Deve ser aqui mesmo que mora o sapateiro Antônio. Coitado dele, vive sentado o dia inteiro, consertando sapatos!" pensou Gaspar.

Devagarinho e sem barulho, pôs a cesta na porta, bateu palmas e rapidamente continuou o seu caminho, virando na esquina mais próxima, onde desapareceu antes que alguém pudesse vê-lo.

"Que surpresa magnífica! Que peru enorme!" disse o sapateiro lendo o cartão, onde estava escrito:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

"Imagine só, eu ganhando um presente destes!"

Ficou por um momento coçando a cabeça. Então disse em voz alta: "Já sei o que vou fazer! Levarei o frango que comprei para o nosso jantar de Natal à pobre viúva Mendes."

Guardou o peru, meteu na cesta o frango que havia custado seu último vintém, pois queria um jantar para os seus filhos no dia do Natal, cobriu-a e saiu, dirigindo-se à pequena casa branca da viúva. Colocou a cesta na escada, bateu na porta, e sumiu em seguida.

A viúva abriu a porta e arregalou os olhos de surpresa, enquanto lia no cartão:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém." Olhando para dentro da cesta, viu o frango assado. "Que belo frango! Quem teria tido a bondade de me dar este presente?" Sorrindo, guardou o frango no armário e disse: "Já sei o que vou fazer! Levarei também uma surpresa para a boa lavadeira." Tirando da mesa um enorme pudim, bem assado e cheiroso, arrumou-o na mesma cesta e levou-o à casa da lavadeira.

Joana estava no quintal, estendendo roupas, e não viu a viúva entrar pela porta, colocar a cesta na mesa e ir-se embora. Quando voltou para dentro de casa, viu a cesta e, muito admirada, leu o cartão:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

"Como é estupenda esta idéia! Vamos ver o que há dentro da cesta. Vejam só, é o rei dos pudins! Dá água na boca só de olhar! Ah, já sei o que eu também vou fazer. Assarei um bolo gostoso para os três filhos da D. Maria."

E assim fez, bolo na cesta, cartão pregado no guardanapo, foi até à casa de D.Maria. Entrou sem bater, colocou o bolo ainda quente sobre a mesa, defronte das três crianças e disse:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

"Que beleza, um bolo! Mas é para nós, de verdade? Hummm... como está cheiroso! Todo para nós? Muito obrigado" gritaram os três para a senhora que já ia saindo.

O mais velho dos irmãos sugeriu, então, aos menores: "Vamos cortar um pedaço bem grande e lavá-lo ao Joãozinho, o vizinho e grande amigo!"

"Vamos, vamos!" apoiaram os irmãos.

Como Joãozinho ficou alegre com o bolo quando as crianças lhe disseram:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

"Muito agradecido pelo bolo gostoso e bom! Também vou passar um dia alegre e feliz! Vou guardar as migalhas para os passarinhos que costumam aparecer na minha janela."

Quando ficou sozinho, Joãozinho pensou: "Eu também gostaria de fazer alguma coisa boa para alguém... JÁ SEI!", exclamou em voz alta, olhando pela janela as flores do jardim. "Aquele velho, simpático, a quem entrego o jornal todos os dias, não tem quintal."

Todo animado, pegou a tesoura e cortou com cuidado uma porção de flores coloridas. Ajeitou-as dentro da cesta, colocou o cartão e saiu todo garboso pela rua. Andou, andou, deu a volta no quarteirão. Colocando a cesta na varanda, tocou a campainha e virou a esquina, bem depressa.
Que surpresa que o Sr. Gaspar teve quando abriu a porta e encontrou sua própria cesta cheia de lindas flores e um cartão que dizia:

"Se você quiser ter um bom Natal, faça um bem para alguém."

(Desconheço a autoria)